Música | 02 de setembro, 2016

Review do Bar – Blonde, o novo álbum do Frank Ocean

Finalmente ele saiu!

Aguardado desde 2012, quando Channel Orange apareceu, saiu no dia 20 de agosto Blonde, seu sucessor. Em meio a muitos (muitos, muitos!) atrasos, um hype absurdo e colaborações de grandes nomes da música, o álbum pode decepcionar quem espera mais do mesmo ou até mesmo um álbum mais agitado, mas certamente atende (e bem) quem aprecia música bem feita.

Blonde não é um disco de fácil compreensão e que também leva mais de uma ouvida para sacar todas as nuances e detalhes (eu mesmo estou longe de ter sacado tudo), mas vale a paciência. Sem mais delongas, vamos ao que achei do álbum todo e o que concluí da nova empreitada de Ocean.

As duas primeira músicas dão o tom do restante do álbum. A melodia melancólica, quase espacial composta pelo sintetizadores (quase uma regra do álbum), as batidas constantes, a ausência de um refrão e a modulação na voz do Frank mostram que ele não teve medo algum de experimentar novos sons em Blonde. “Ivy” consolida a vibe simples e bonita que colore o álbum, mas não chega a ser um momento marcante e em “Nikes”, Frank pode afastar algumas pessoas por conta da “voz de esquilo” usada por tempo demais, mas é um momento isolado.

A terceira música, “Pink + White”, se assemelha um pouco mais ao tipo “padrão” de música que toca nas rádios, mantém o som agradável de se ouvir e conta com um belo backing vocal da Beyoncé (o que mostra o quão grande é Frank Ocean), além de uma excelente linha de baixo. Éuma das músicas com mais reproduções do álbum nas rádios e plataformas de streaming.

Voltando ao tom das primeiras músicas, “Solo” traz uma letra incrível sobre um amor perdido, que acompanha uma sensacional performance vocal de Frank, onde ele mostra uma clara evolução técnica em relação ao Channel Orange, tornando esse um dos pontos mais altos do álbum.

“Skyline” era a música deste álbum que eu mais esperava ouvir, pela participação de ninguém menos que Kendrick Lamar (confesso que sou muito fã), porém me decepcionou bastante. O primeiro motivo é a mesmice em relação as músicas anteriores, e aproveitando a presença de Kendrick, a música poderia tomar um rumo diferente. O segundo motivo: Kendrick pouco participa (talvez por isso a mesmice). Ao final, a faixa não empolga e não traz a vontade de escutar de novo, fazendo de “Skyline” um ponto baixo de Blonde.

A decepção dura pouco, pois em seguida Frank apresenta “Self Control”, com um dos melhores instrumentais do álbum e um tom um pouco diferente das músicas anteriores. O interlúdio “Good Guy”, onde a mãe do Frank fala com ele sobre fama e drogas, é uma introdução perfeita para “Nights”, uma música que assim como “Pink + White” soa mais ‘comum’ aos ouvidos, mas é bastante introspectiva onde, basicamente, Frank conversa sobre sua vida com o ouvinte. Em “Solo (Reprise)”, outro interlúdio, Frank traz outra lenda para seu álbum, Andre 3000, este pelo menos não decepciona. Poderia, inclusive, ter explorado a parceira para uma música ao invés de um interlúdio apenas.

Em “Pretty Sweet”, uma das músicas mais “estranhas” do álbum. É possível que eu não tenha entendido o ponto? É possivel. No entanto, aqui começa uma sequência, que na minha opinião, é o ponto mais baixo do álbum. “Facebook Story” é um interlúdio desnecessário, que fala sobre uma possível traição por meio da rede. Entendo a crítica a quem dá importância demais para redes sociais e tal, mas não combina com o resto do álbum nem com o tema proposto. “Close To You” apresenta uma vibe que lembra até Daft Punk, com o vocoder na voz, mas não chega a entregar nada memorável.

A chegada de “White Ferrari” me deu grandes esperanças, afinal Bon Iver e James Blake participam. O resultado é muito bonito, como já era de se esperar pela presença dos outros artistas, a harmonia das vozes também surpreende, mas nesse ponto do álbum (é a décima quarta música), soou, de novo como mais do mesmo.

Apesar disso, o álbum acaba melhor. “Seigfried” novamente combina uma grande melodia com uma letra interessante e, nesta música, a produção é mais evidente, trazendo um fundo cheio de detalhes e sons que ainda não haviam aparecido no álbum. “Godspeed” acompanha, quase que como uma continuação da mesma música.

E finalmente, “Futura Free”, minha musica preferida no álbum, que é uma mistura entre tudo que o Frank experimentou em Blonde e aquilo que ouvimos no disco anterior.

É possível que muita gente ache este álbum melancólico demais, repetitivo demais, simples demais e que falte uma música de mais impacto, mais dançante (eu entendo e até concordo em certo nível). Não é um álbum que vai tocar numa festa ou que vai te botar pra cima. Mas é inegável que, mais uma vez, Frank Ocean nos entregou um trabalho excelente, com uma produção impecável, contanto que você esteja na mesma vibe dele. Os instrumentais são muito bonitos, as letras tem qualidade enorme e o maior ponto de Blonde é a maturidade vocal que o Frank encontrou (que já era boa em seu trabalho anterior).

É do nível do Channel Orange? Não. Mas seria muita injustiça comparar tudo que ele fizer ao Channel Orange. Quatro anos se passaram. É um novo disco, um novo conceito, um novo Frank, que traz um novo resultado. Diferente, mas com algo em comum: A qualidade de um dos melhores artistas da atualidade.

 

Nota: 4 de 5 Chopps

 

Este post foi escrito por Danilo Carlin, bodybuilder amador, campeão do torneio de cuspe na rua e estudante de engenharia. Fluente em Bósnio(apenas uma dessas informações é falsa)

Felipe Riera
Publicitário / Reclamão

Sobre o Autor

Super-herói aposentado que aceita freelas como publicitário, fala demais, pensa demais, bebe demais e dorme de menos.

Veja Também

logo-branca

Copyright 2018 © All Rights Reserved
Desenvolvido por Digital Pixie