Livros | 10 de maio, 2018

O início da grande batalha – Heróis dos Infinitos (Editora Pendragon) | Crítica

O Nerdpub recebeu seu primeiro livro! Em uma parceria com a editora Pendragon, fomos convidados a ler e compartilhar o que achamos do lançamento Heróis dos Infinitos – O Início da Grande Batalha, escrito por Hebson B. S. de Jutaí – AM.

A história começa em um planeta chamado Harcons, onde dois de seus habitantes foram capturados como conspiradores e traidores. Zermons e seu discípulo Hebson (o protagonista, não o autor, mas também o autor…), são levados diante do rei para serem executados, no entanto no último instante possível, o mestre conjura uma maneira de salvar seu discípulo, levando-o para longe daquele planeta. Hebson é carregado por uma esfera de energia até o nosso querido planeta Terra, onde ele não poderia chegar em melhor momento e lugar, pois a pequena cidade de Madeiras está sofrendo um ataque do vilão da história: Luzes. Após uma luta que termina em uma massiva explosão, Hebson é resgatado pela força policial local, onde um de seus comandantes é ninguém menos que um antigo herói da Terra, Gavião Real. Percebendo o poder de Hebson e do perigo que a Terra corre contra esse novo super-vilão, Gavião Real deixa o jovem aos cuidados médicos e parte em busca de novos aliados. Mortalhes, Lendários e EBS MEGA 13 são antigos conhecidos do Gavião Real e se unem para combater Luzes. Batalhas são travadas, inocentes são mortos, um vilão escapa para mais uma vez voltar e todas essas coisas que se espera de uma história do bem contra o mal.

 

Um livro bastante curto que tenta abraçar o planeta Terra, Harcons e a lua juntos. Percebe-se que o autor busca batalhas épicas, seres poderosíssimos, inimigos maléficos mas alcança objetivo nenhum. Infelizmente não conseguimos ter contato suficiente com nenhum dos personagens para compreender exatamente quem eles são e o que buscam. Não somos propriamente apresentados nem sequer ao universo em que a história ocorre. Apesar da história acontecer na Terra, não sabemos em que situação ela está, em que época estamos , qual o nível de tecnologia, entre outras informações que auxiliem o leitor a vivenciar aquele momento.

O livro falha em apresentar seus personagens, desde características físicas até sua própria história. Somos informados que Hebson é na verdade o herdeiro legítimo do trono de Harcons, e que seu planeta está vivendo uma guerra civil, mas após sua escapatória da execução, em mais nenhum momento aprendemos mais sobre o personagem. Por algum motivo ele é muito forte, por outro motivo qualquer ele tem super poderes, e concluímos superficialmente que ele tem aparência humana, já que a sua chegada não impressiona os moradores do planeta Terra em relação a seu rosto ou roupas.

O mesmo vale para o vilão da história. Ele possui um passado traumático em que seu pai foi assassinado. Após isso o menino Luzes é criado pelo tio, que tem ligações com o mundo do crime e decide levar o sobrinho pelo mesmo caminho. Luzes mata seu tio e comparsas pois não quer se tornar aquilo que o pai lutava contra. De um parágrafo para o outro o menino cresce e constrói ciborgues para atacar aqueles que mataram seu pai. Em nenhum momento conseguimos acompanhar o crescimento do personagem que permita fazer sentido ele simplesmente saber construir tais componentes bélicos. E apesar de a vingança ser um possível motivador que compreendemos, não é dela que o vilão está realmente atrás, pois próximo do final do livro ele dizima praticamente toda a vida na Terra e busca transformar-se em um deus.

Esse é um livro que busca ser épico e profundo, mas tudo o que ele consegue ser é simplório e raso. Vale ressaltar aqui a diferença entre simples e simplório. Algo simples possui apenas o essencial e apresenta ele de maneira direta e objetiva, permitindo que o leitor compreenda e se identifique. Algo simplório não sabe se expressar, quer ser tudo mas peca pela falta e não consegue criar conexão com o leitor. O simples é criado com cuidado, o simplório é criado ao acaso, e sinto aqui que tanto a história quanto o livro em si, foram criados ao acaso.

Por fim, o que nós percebemos e aconselhamos é que o autor tente abraçar uma pessoa de cada vez. Hebson é um personagem que é inicialmente apresentado em seu momento de derrota, de captura e de perda. Vemos nele a raiva e a vontade de lutar, mas não vemos nada além disso. Gostaria de conhecer mais sobre ele, entender seu mundo, saber como ele chegou ali e por que o aparente herdeiro do trono é sentenciado como um traidor. Construir uma história é como tear um tapete. Temos que ir camada por camada, dar um ponto de cada vez e ter a imagem final em nossa mente para fecharmos o desenho. Um personagem de cada vez, um planeta de cada vez, uma batalha de cada vez, e, com o tempo, um livro de cada vez.

Agora, é preciso parabenizar o autor e a editora pelo mais importante: o livro foi escrito, o livro foi publicado. Em um mundo onde centenas de pessoas dizem da boca pra fora “tive uma ideia”, é reconfortante ver um autor que colocou a própria no papel. Nessa mesa de bar não vou pagar o seu drink hoje, Hebson (o autor, não o personagem), mas ergo aqui minha Margarita em reconhecimento à sua coragem em colocar seu universo à nossa disposição e aos nossos cuidados. Esperamos ler algo seu muito em breve, desde que não seja a continuação que você prometeu ao final do livro.

Você pode comprar o livro pela Loja Pendragon

Rafaela Schaan
Ilustradora/Designer

Sobre o Autor

Ilustradora que está em seu habitat natural com um lápis na mão e um sketchbook na mesa, mas que também não se opõe a uma rodada de chopp enquanto fala besteira no bar.

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