Cinema | 19 de março, 2018

Tomb Raider – A Origem | Crítica

Alicia Vikander consegue convencer como Lara Croft, mas o resultado é uma adaptação morna e cheia de clichês.

 

Quando anunciaram que Alicia Vikander seria a nova Lara Croft nos cinemas, muita gente torceu o nariz, quer dizer, como assim trocam a Angelina Jolie por essa magrela? Era algo bem comum de ler pela internet. Talvez essas pessoas tenham um certo carinho pela bombshell que foi apresentada a eles em 2001 e confesso que, obviamente, eu também tenho. Mas talvez terem escalado a atriz sueca para o papel nessa nova adaptação seja o único completo acerto. A personagem se assemelha bastante àquela que encontramos na nova série repaginada de jogos da franquia e, diferente de versões anteriores, é mais perto da realidade (se é que isso é possível em um jogo de videogame onde você explora tumbas amaldiçoadas e consegue dar pulos duplos).

“Ok, o casting foi bom, e tal, mas e o filme?” Aí já é outra história.

Baseado no reboot da franquia de 2013, Tomb Raider – A Origem conta a história de uma jovem Lara Croft que parte para uma ilha misteriosa na costa do Japão em busca do pai, desaparecido há quase uma década. Diferente de suas outras versões (até mesmo a do game reboot), a Lara Croft a qual somos apresentados não é uma arqueóloga profissional, mas à medida que a história avança no primeiro ato, o filme apresenta as habilidades de Lara, deixando o espectador mais confortável com a performance dela nas cenas de luta e sobrevivência ao longo do filme. Lara  pratica MMA, trabalha como entregadora de comida em uma bike e, num flashback, é vista usando com muita destreza um arco e flecha. Isso tudo traz essa nova Lara Croft mais perto de uma realidade alcançável.

O filme acerta também ao não dar um interesse amoroso à Lara em Lu Ren (Daniel Wu, de Warcraft). O personagem se conecta com Lara também pela busca de resposta sobre o desaparecimento do pai, criando ali e deixando bem claro que vemos uma história de amizade entre os dois.

Desde o começo do filme somos bombardeados de clichês e de um roteiro que beira o preguiçoso, usando flashbacks bregas que não aproximam o espectador nem um pouco daqueles personagens. Nesses flashbacks vemos muito a relação entre Lara e seu pai, Richard (Dominic West, de The Wire), mas West não consegue entregar um Richard Croft que convence e parece ter caído de paraquedas na produção.

O vilão nesta história toda é Matthias Vogel (Walton Goggins, de Justified), trabalhando para uma organização chamada Trinity, ele está há anos na ilha em que Lara vai procurar o pai em busca da tumba de uma rainha japonesa que, diz a lenda tem poderes sobrenaturais. Desde sua introdução, vemos a falta de compaixão e como a obsessão e ganância conseguem quebrar um homem; aqui, Goggins entrega a única atuação do filme que se compara a de Alicia Vikander.

 

Lara corre e pula em boa parte do filme, e são nessas cenas que podemos ver a fragilidade da personagem, ainda sem experiência. Ela tem reações genuínas de choque ao matar um dos capangas, por exemplo. O filme consegue captar muito bem a Lara Croft que vemos no jogo de 2013: assustada, inexperiente, mas muito corajosa e forte. Outro, e talvez o último, ponto positivo é a capacidade do diretor Roar Uthaug de transpassar para as telonas algumas cenas que lembram muito situações do jogo, fiquem atentos para a cena do avião e quando Lara se infiltra no campo da Trinity armada apenas de um arco e flecha.

Diferente de outros filmes do gênero, Tomb Raider – A Origem não abraça o absurdo e a quase galhofa e, por se levar a sério demais, acaba ficando um pouco cansativo. As mudanças na história que se baseia no game são desnecessárias, e a história acaba se pesando na relação morna entre Lara e Richard Croft. O roteiro é cheio de clichês, mas entrega cenas de ação dignas do incrível jogo de 2013 e entrega algumas referências dos jogos antigos.

Não se enganem, Alicia Vikander É Lara Croft. Não do jeito que as pessoas lembram, mas uma nova e mais adaptada (e na minha opinião, melhor) Lara Croft. Queremos ver a sueca de novo no papel, só que de preferência em um filme que seja realmente bom.

 

Felipe Riera
Publicitário / Reclamão

Sobre o Autor

Super-herói aposentado que aceita freelas como publicitário, fala demais, pensa demais, bebe demais e dorme de menos.

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