Cinema | 31 de agosto, 2016

Onde Esquadrão Suicida Errou?

Muitas vezes o melhor é escolher um caminho e fazer ele de maneira correta do que tentar abraçar todos os públicos.

Esquadrão Suicida foi lançado, gerou polêmica, dividiu crítica e fãs, foi a maior estréia da história no mês de agosto (essas métricas aleatórias que os estúdios gostam de divulgar), mas acima de tudo Esquadrão Suicida errou. E para entender o que foi esse erro é preciso voltar e observar a trajetória da produção do filme (e por consequência do universo DC nos cinemas).

O filme foi anunciado na longínqua San Diego Comic-Con de 2014 e de lá para cá teve diversos trailers divulgados. Mas o impressionante é a diferença do tom entre o primeiro trailer e o trailer de lançamento.

 

Essa diferença mostra claramente que Esquadrão Suicida é um exemplo das piores coisas que assombram um blockbuster, o roteiro não é consistente se bem observado. Os personagens tem a profundidade de um pires de chá. A edição do filme torna a narrativa completamente confusa. O filme não tem ritmo, é apenas uma correria do ponto A ao ponto B. E o pior de tudo, existe uma necessidade de se colocar uma música diferente A-TODO-MOMENTO.

Mas se o filme originalmente possuía esse tom sombrio, o que aconteceu? Bom, quase no fim do caminho da produção do filme ocorreu um pequeno detalhe: o lançamento de Batman V Superman: A Origem da Justiça. Como muito devem saber, o esperado embate do Homem de Aço contra o Homem Morcego não foi recebido da maneira que o estúdio da caixa d’água esperava e coincidentemente um mês depois foram solicitadas refilmagens para Esquadrão Suicida. Refilmagens essas para, supostamente, adicionar mais “comédia” ao filme, para combater as críticas de que BvS era um filme muito sombrio. Apesar de ser uma prática bem comum refilmagens acontecerem, elas geralmente não são para mudar algum aspecto do filme, mas sim para adicionar uma cena extra, um easter egg, corrigir um pequeno furo de roteiro ou até mesmo para que um possível spoiler do filme não vaze cedo. Neste caso as reciclagens geraram um segundo corte do filme, o que vimos no cinema, que acabou sendo mais popular exibições adiantadas do filme com um público teste.

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Esta mistura das cenas novas com o material antigo acabou,muito provavelmente, sendo a causa dos problemas de edição do filme. Isso pode ser percebido em cenas que parecem avulsas durante alguns momentos do filme, como quando Amanda Walter visita a cela da Arlequina.  O que recebemos nos cinemas foi uma película confusa, que não sabe se quer ser parte do universo sombrio idealizado por Zach Snyder ou se quer abraçar o lado mais leve que fez sucesso em Guardiões da Galáxia.

Apesar desses problemas um dos pontos altos do filme (e também uma de suas falhas) são seus personagens. Viola Davis novamente mostrando o quão talentosa pode ser e conseguindo se sobressair no roteiro falho do filme. Will Smith, que conseguiu me convencer que um vilão que não erra o alvo pode ser incrível (e me fez esquecer o Bullseye de Colin Farrell).  E é claro Margot Robbie roubando a cena com seus comentários constantes sobre  tudo. No entanto nem esses personagens conseguem salvar o roteiro medíocre.

Em suma Esquadrão Suicida falhou, por não saber que filme gostaria de ser e com isso tentou ser todos. Dessa forma o universo da DC no cinema continua sem uma identidade, que poderia ter sido concebida muito bem em uma trama menos Destruição global e mais Black Ops com o task force X ( designação oficial do Esquadrão).

Agora só nos resta aguardar que, assim como salvou BvS, a Mulher Maravilha possa salvar o universo cinematográfico da DC.

 

Vinicius Manzano
Designer / Palestrinha

Sobre o Autor

O designer que é a grande mente por trás do Nerdpub poderia estar comandando o mundo se só tivesse ido embora do bar mais cedo.

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