Cinema / Quadrinhos | 21 de fevereiro, 2018

O Problema dos Direitos dos X-Men retornarem à Marvel

Há uma possibilidade real de vermos uma adaptação de Vingadores Vs X-Men na Fase 4 da Marvel, mas isso pode acabar não sendo uma coisa boa.

A compra da Fox pela Disney, e por consequência o retorno dos direitos de Deadpool, X-Men e Quarteto Fantástico para a Marvel, era o sonho de muitos nerds. Mas agora que esses sonhos se tornaram realidade nós devemos considerar qual será o impacto disso no universo cinematográfico da Marvel (e na cultura Pop como um todo). Há uma possibilidade real de vermos uma adaptação de Vingadores vs X-Men na Fase 4 da Marvel, mas isso pode acabar não sendo uma coisa boa.

Antes da Marvel Studios se tornar a gigante que é hoje, a Marvel Comics enfrentou grandes problemas nos anos 90, que a levaram a declarar falência. Naquela época, toda a industria de quadrinhos passava por dificuldades, mas a Casa das Idéias tinha dívidas na casa dos milhões de dólares. A falência veio depois da Marvel tentar explorar novas formas de negócio como games e restaurantes temáticos, mas de todas essas soluções só uma realmente funcionou: licenciamento de seus personagens.

Ao longo da década de 90, a Marvel vendeu os direitos cinematográficos de seus personagens mais populares (na época) para conseguir pagar suas dívidas. Essas vendas resultaram em dois desenhos animados incríveis e filmes como Blade e Demolidor (sim, aquele do Ben Affleck), a trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi e os filmes dos X-Men na Fox. Porém a Marvel só recebeu pela venda inicial desses direitos, ou seja nenhum dos rendimentos gerados pelos filmes ou séries voltaria para os bolsos da Marvel.

Com a aquisição pela Toy Biz em 1997, a Marvel foi salva da falência, mas ela ainda não estava em uma posição privilegiada no mercado. Enquanto as franquias da Sony e da Fox efetivamente iniciaram a era moderna dos super heróis no cinema, a Marvel tinha a missão de restaurar sua divisão de quadrinhos a glória antiga, ao mesmo tempo em que devia se preparar para embarcar na nascente indústria cinematográfica de quadrinhos.

Foi nesse momento que a Marvel decidiu lançar o Universo Ultimate, que apresentou uma nova geração de leitores aos personagens da editora. Durante esse período, várias licenças vendidas nos anos 90 retornaram para as mãos da editora, como Homem de Ferro e Thor. Apesar de estar atrasada para o mercado cinematográfico, a Marvel já possuía os direitos daqueles personagens que se tornariam a base de seu universo cinematográfico.

Embora houvessem fãs do Homem de Ferro, ou até mesmo do Thor, esses personagens nunca foram incrivelmente populares como Homem-Aranha e os X-Men, e a Marvel sabia disso. Então, ao invés de tentar construir seu universo cinematográfico sobre uma popularidade pré-existente em outra mídia, a Marvel Studios colocou seu foco em construir aqueles personagens de forma atraente para o público geral (AKA não leitores de quadrinhos). Embora eles não conhecessem Tony Stark, porém eles conheciam Robert Downey Jr. — que se estivermos sendo honestos, transformou o Tony Stark dos cinemas em uma versão levemente diferente de si mesmo na vida real. Da mesma forma, que os outros personagens da fase 1 (Capitão América e Thor) não eram gigantes conhecidos, mas o estúdio utilizou seus filmes como plataformas para indicar aonde ela levaria aquele universo.

A falta de seus grandes personagens fez com que a Marvel tivesse que planejar cuidadosamente os alicerces de seu universo cinematográfico. E 10 anos depois podemos perceber que foi uma escolha extremamente acertada por parte dela.

De maneira similar, foram as limitações que fizeram com que os filmes da Fox tivessem sucesso no inicio dos anos 2000, embora o primeiro filme baseado em algum personagem da Marvel a ter algum sucesso foi Blade, nos anos 90, foram os X-Men que mostraram para os estúdios e para o público que um filme saído diretamente as páginas do quadrinho poderia ser um blockbuster.

Os filmes dos mutantes tiveram um grande sucesso inicialmente, principalmente com X-Men 2, porém X-Men: O Confronto Final não se igualou aos seus antecessores e o primeiro Wolverine foi incrivelmente ruim (assim como os filmes do Quarteto Fantástico do estúdio). Mas como a Fox detinha apenas os direitos destes personagens, não havia alternativa a não ser retornar ao planejamento e tentar novamente.

Embora a Fox ainda não tenha o mesmo histórico que a Marvel nos cinemas, o reboot que veio com X-Men: Primeira Classe trouxe uma nova vida para os mutantes no cinema, com uma nova geração de atores e histórias que, do ponto de vista tecnológico, seriam quase impossíveis de se produzir a 20 anos atrás. Além disso os filmes da Fox estão evoluindo para além do que se espera de um filme baseado em quadrinhos e trazendo um sopro de vida para o gênero, que alguns argumentam já estar se tornando saturado.

Logan e Deadpool foram filmes para maiores de 18 anos, que não envolviam a destruição do mundo ou grandes cenas de ação e ainda assim se deram bem na bilheteria, superando as expectativas do estúdio e dos fãs. Logan, um western, é uma história sobre o fim da vida de um homem e as reflexões que vem com esse período, enquanto Deadpool foi uma paródia de como os filmes de herói estão se tornando formulaicos com diversos elementos em comum presentes nesses filmes. Além disso, ambos os filmes foram produzidos com um orçamento relativamente baixo para os padrões do gênero. A Fox agora está produzindo o filme dos Novos Mutantes, que parece estar se tornando uma adaptação de quadrinhos que vai seguir para o gênero de terror — novamente sendo pioneira em um gênero — algo que nenhum outro estúdio parece ter interesse no momento.

X-Men de volta à Marvel seria algo mais animador ou preocupante?

Tanto para a Fox quanto para a Marvel, a necessidade foi a mãe da invenção, fazendo com que ambos os estúdios usassem suas limitações para construir suas franquias, Vingadores e X-Men, da melhor forma possível.

Por conta disso o retorno dos direitos dos personagens da Fox podem ser motivos para preocupação. Agora que a Marvel tem quase todos os seus personagens de volta, o mais lógico seria incorporá-los no MCU. Porém seu universo cinematográfico é muito formulaico e metódico que, considerando sua situação atual, pode não ser um bom lugar para os X-Men (o Quarteto Fantástico no entanto pode se encaixar bem.)

Essa inovação que a Fox tem tentado trazer aos seus personagens é algo maravilhoso, quando comparado à forma quase matemática que seus concorrentes tem tratado os filmes de heróis. Porém agora que o retorno dos X-Men para a Marvel é iminente, graças aos cofres gigantes do Mickey, os fãs poderão (finalmente) ver todos os seus personagens favoritos juntos no cinema, mas por mais empolgante que isso possa ser, ver a Disney desfazer toda a criatividade que a Fox tem tentado trazer para os mutantes apenas para jogá-los naquela, já desgastada, fórmula do seu Universo Cinematográfico seria uma tristeza sem fim, tanto para os fãs, quanto para a indústria como um todo.

Vinicius Manzano
Designer / Palestrinha

Sobre o Autor

O designer que é a grande mente por trás do Nerdpub poderia estar comandando o mundo se só tivesse ido embora do bar mais cedo.

Veja Também

logo-branca

Copyright 2018 © All Rights Reserved
Desenvolvido por Digital Pixie